Jovem fora da escola custa mais ao país do que para mantê-lo estudando, diz pesquisa

Por Fernanda Calgaro, G1 — Brasília

Estudo da Fundação Roberto Marinho e do Insper, coordenado pelo economista Ricardo Paes de Barros e lançado nesta terça-feira (14), indica que o jovem fora da escola custa mais ao país que o investimento feito para que conclua a educação básica.

Segundo a pesquisa, são gastos cerca de R$ 90 mil por aluno ao longo dos 14 anos da educação básica, que compreende pré-escola, ensino fundamental e médio.

De acordo com o estudo, quando um jovem não conclui essa etapa de ensino, a perda é de R$ 372 mil por ano para o país.

Isso porque os jovens com educação básica completa passam, em média, mais tempo em empregos formais e com maior remuneração; têm maior expectativa de vida com qualidade; e tendem a ter um menor envolvimento em atividades violentas, como homicídios.

Mantida a taxa de evasão escolar de 17,5%, o que representa 575 mil jovens de 16 anos de idade sem concluir a educação básica, chega-se a uma perda para o Brasil de R$ 214 bilhões por ano, diz a pesquisa.

Para o economista Ricardo Paes de Barros, o estudo mostra que a educação, além de ser um direito garantido na Constituição, traz um retorno financeiro muito importante para o país.

“Estamos falando que o custo de o estudante não concluir é quatro vezes maior do que o que estamos dispostos a gastar para construir esse projeto [de educação]”, afirmou o pesquisador durante videoconferência de lançamento e debate do estudo.

Ele explicou que o cálculo do custo social total de cada jovem sem educação básica levou em conta quatro dimensões:

  • empregabilidade e nível de remuneração dos jovens;
  • longevidade e qualidade de vida;
  • efeitos que a remuneração do jovem tem para a sociedade, chamados de externalidades, como o impacto no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas produzidas por um país);
  • violência.

O secretário-geral da Fundação Roberto Marinho Wilson Risolia, ressaltou que a pesquisa servirá como instrumento para o gestor público para reorganizar suas ações e priorizar a educação.

O objetivo em uma segunda etapa, afirmou, é avançar na pesquisa para detalhar a situação em cada estado do país. “Mais para a frente, queremos trazer um cálculo mais apurado por estado”, disse.

Pandemia

Durante o debate, Paes de Barros afirmou que a situação na área educacional tende a se agravar ainda mais com a crise gerada pela pandemia do novo coronavírus. Segundo ele, isso poderá levar ao aumento, por exemplo, da diferença de aprendizagem entre os estudantes da escola pública e da privada.

“De fato, é um momento difícil. Na educação, os desafios deverão ser gigantescos: como conectar milhares ou milhões de crianças jovens? (…) Quatro, cinco meses sem escola — o que representará para o futuro da criança? A falta de tecnologia em relação a outras crianças, a qualidade do ensino à distancia”, afirmou.

Segundo Maia, o Congresso tem trabalhado para construir soluções. Ele ressaltou que a expectativa é votar o novo Fundeb, fundo que financia a educação básica, na semana que vem.

Criado em 2007 como temporário, o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb) será extinto em dezembro deste ano.

Câmara analisa uma nova proposta de emenda à Constituição (PEC), para torná-lo permanente a partir de 2021.

16 de julho de 2020
Jovem fora da escola custa mais ao país do que para mantê-lo estudando, diz pesquisa