Essa pesquisa, publicada na Cadernos de Saúde Pública, investigou se a existência de regulamentações sobre a venda de ultraprocessados em cantinas escolares influencia o consumo desses alimentos por adolescentes. O estudo considerou escolas públicas e privadas em todas as análises.
Segundo a pesquisa, a escola é o ambiente em que os estudantes passam a maior parte do dia e deveria ser um espaço de proteção à saúde, favorecendo a adoção de hábitos alimentares saudáveis. A comercialização de alimentos ultraprocessados nas escolas é um incentivo para seu consumo, uma vez que expõe os estudantes diariamente a produtos altamente atrativos, palatáveis, e muitas vezes, baratos.
O trabalho conclui que os estudantes de escolas localizadas em capitais que regulamentam a venda de ultraprocessados nas cantinas consomem menos esses alimentos. Já os alunos de escolas com maior disponibilidade de ultraprocessados nas cantinas têm maior consumo desses produtos.
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A QUAL PERGUNTA A PESQUISA RESPONDE?
A existência de regulamentações sobre a venda de ultraprocessados em cantinas escolares influencia o consumo desses alimentos por adolescentes?
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POR QUE ISSO É RELEVANTE?
A escola é o ambiente em que os estudantes passam a maior parte do dia e deveria ser um espaço de proteção à saúde, favorecendo a adoção de hábitos alimentares saudáveis. A comercialização de alimentos ultraprocessados nas escolas é um incentivo para seu consumo, uma vez que expõe os estudantes diariamente a produtos altamente atrativos, palatáveis, e muitas vezes, baratos.
Dados da mais recente pesquisa de consumo alimentar representativa da população brasileira (Pesquisa de Orçamentos Familiares de 2017-2018) mostram que 26,7% das calorias da alimentação de adolescentes brasileiros vêm dos ultraprocessados, configurando-se como o grupo da população que mais consome esses alimentos. Os ultraprocessados são responsáveis pela substituição de padrões de alimentação baseados em alimentos in natura e minimamente processados e estão associados ao desenvolvimento de doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes tipo 2 e obesidade.
Compreender se a existência de leis influencia o consumo de alimentos pelos estudantes pode apoiar a elaboração de regulamentações que atuem diretamente sobre o ambiente alimentar escolar, protegendo as crianças e adolescentes contra os efeitos nocivos à saúde desses produtos.
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RESUMO DA PESQUISA
Foi realizado um levantamento sistemático de leis, decretos, resoluções e portarias sobre a venda de alimentos e bebidas ultraprocessados nas cantinas escolares que estavam em vigor até 2019. Em seguida, foram usados dados da PeNSE (Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar) de 2019, uma pesquisa de base populacional, com dados representativos de estudantes de escolas públicas e privadas do país. A partir desses dados, foram avaliados quais alimentos estavam disponíveis nas cantinas das escolas e quais alimentos foram consumidos por 81.906 adolescentes de 13 a 17 anos, nas capitais brasileiras.
Com essas informações, foram investigadas duas questões principais: se a existência de regulamentações que incidem sobre o ambiente escolar estava associada ao menor consumo de alimentos ultraprocessados pelos estudantes; e se, entre adolescentes que frequentavam escolas com cantina, a venda de ultraprocessados nesses espaços estava associada ao maior consumo.
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QUAIS FORAM AS CONCLUSÕES
Os estudantes de escolas localizadas em capitais que regulamentam a venda de ultraprocessados nas cantinas consomem menos esses alimentos. Já os alunos de escolas com maior disponibilidade de ultraprocessados nas cantinas têm maior consumo desses produtos.
Foram encontradas desigualdades entre as regiões do país. Na região Sul todos os alunos das capitais frequentavam escolas com regulamentação. Já as regiões Norte e Nordeste concentravam a maioria dos alunos que frequentavam escolas sem regulamentação.
Esses achados reforçam a importância de uma lei nacional, de caráter mandatório, que regulamente a venda de alimentos ultraprocessados nas escolas e no seu entorno, e estabeleça mecanismos claros para sua fiscalização.
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QUEM DEVERIA CONHECER SEUS RESULTADOS?
Gestores públicos e formuladores de políticas públicas interessados na promoção da alimentação adequada e saudável, diretores de escolas que possuem cantinas, pais e responsáveis preocupados com a alimentação e saúde das crianças e adolescentes e a comunidade científica.
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REFERÊNCIAS
Azeredo CM, de Rezende LFM, Canella DS, et al. Food environments in schools and in the immediate vicinity are associated with unhealthy food consumption among Brazilian adolescents. Preventive Medicine 2016;88:73–79. Disponível aqui.
Azeredo CM, Leite MA, Rauber F, et al. Are laws restricting soft drinks sales in Brazilian schools able to lower their availability? Revista de Saúde Pública 2020;54:42–42. Disponível aqui.
Cunha R de O, do Carmo AS, Silva UM, et al. Association between the food environment of Brazilian public and private schools and the consumption of ultra-processed foods: Analysis of the National Student Health Survey (PeNSE) 2019. Food Policy 2025;134:102871. Disponível aqui.
Rocha LL, Cordeiro NG, Jardim MZ, et al. Do Brazilian regulatory measures
promote sustainable and healthy eating in the school food environment? BMC Public Health 2023;23(1):2166. Disponível aqui.
Fonte: https://pp.nexojornal.com.br/academico/2026/02/23/como-o-controle-da-venda-de-ultraprocessados-em-escolas-impacta-o-consumo-desses-alimentos-por-adolescentes?utm_medium=email&utm_campaign=Seleo%20da%20semana%20283&utm_content=Seleo%20da%20semana%20283+CID_5b2f68b85e4e3a799d325efc110ed550&utm_source=Email%20CM
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