QEdu reúne dados e análises para raio-X da educação infantil no Brasil

Plataforma apresenta indicadores sobre a carreira docente e revela desafios escolares que vão muito além do debate sobre acesso

por Ruam Oliveira ilustração relógio 29 de abril de 2026

Ensinar na educação infantil demanda fôlego para uma rotina de atualizações técnicas e desafios específicos da primeira infância. Mas quais são as áreas que os educadores mais sentem necessidade de formação contínua?

Dados do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira), coletados no Saeb – Educação Infantil (2021), mostram que seis em cada dez  docentes de creches e pré-escolas sentem “muita necessidade” de programas de desenvolvimento em metodologias de ensino para o público-alvo da educação especial.

Esses números fazem parte do novo indicador lançado nesta quarta-feira, 29, pelo Iede (Interdisciplinaridade e Evidências no Debate Educacional), em parceria com a Fundação Bracell, Fundação Itaú, Fundação VélezReyes+, Fundação Van Leer e BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

QEdu Educação Infantil, nova seção do QEdu, site referência em indicadores educacionais, é uma iniciativa que busca promover o debate sobre a creche e a pré-escola tanto do ponto de vista de acesso, quanto de qualidade, infraestrutura, avaliação, entre outros.

A nova plataforma também se dedica a observar a qualidade da educação infantil ofertada no país e a necessidade da criação de instrumentos de avaliação para essa etapa.

Tecnologia, ludicidadade e planejamento

Embora a inclusão lidere o ranking de necessidades, o uso de tecnologia preocupa 59% dos professores que responderam à pesquisa. O desejo por inovação a partir de ferramentas digitais divide espaço com o brincar, algo primordial para esta etapa: 55% querem dominar o uso de elementos lúdicos nas práticas pedagógicas e 49% buscam melhorar o planejamento de atividades para crianças de 0 a 5 anos. Outros 46% manifestam a necessidade de aperfeiçoar as metodologias de avaliação.

O desafio das condições de trabalho na educação infantil

A formação sólida e específica para esta etapa contrasta com a instabilidade do vínculo profissional. Enquanto 94% dos educadores são formados em pedagogia, apenas 58%  são concursados.

“Mesmo com avanços, os dados nos mostram que ainda precisamos garantir melhores condições de trabalho, como apoio em sala e proporção adequada de crianças por professor”, destaca Eduardo de Campos Queiroz, diretor-presidente da Fundação Bracell.

Segundo dados do Novo PAR (Plano de Ações Articuladas, iniciativa na qual o município diz do que precisa e o Ministério da Educação define como vai ajudar, seja com dinheiro ou com apoio técnico), a partir do Censo Escolar de 2025, cerca de 54% das creches municipais brasileiras possuem um número adequado de crianças por docente. Esse número sobe para 62% na pré-escola.

Para referência, o número de crianças considerado adequado por idade é:

  • até 8 alunos por professor em turmas de até 2 anos;
  • 15 alunos aos 3 anos;
  • 12 em turmas multisseriadas (0 a 6 anos);
  • e 20 alunos entre 4 e 5 anos.

O Brasil em relação à média global

Além deste indicador, o Iede também incluiu a educação infantil no QEdu Países, que reúne dados da América Latina e de países que integram a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) sobre as diferentes etapas de ensino.

No Brasil, o número de crianças atendidas por profissionais da Educação Infantil, considerando professores e assistentes, é de 9,1 na creche e 12 na pré-escola. Já em países da OCDE, as médias são de 4,9 e 9,6, respectivamente.

Fonte: https://porvir.org/dados-analises-raio-x-educacao-infantil/?utm_source=Porvir&utm_campaign=30a87f68fa-Newsletter_2526_Outros&utm_medium=email&utm_term=0_9ba572b4f0-ceda968ee0-273772202

23 de junho de 2026
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